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UMA VIAGEM CHAMADA EDUCAÇÃO

Para discorrer sobre essa “viagem” chamada educação tomo por empréstimo uma metáfora do eminente sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, na qual ele exemplifica as diferenças entre um peregrino X um turista. Com relação ao propósito educacional ao qual vou me referir neste texto, aqui cabe uma indagação: nós, educadores, temos feito essa “viagem” da educação na condição de peregrino ou de turista? Claro que o questionamento também tem sentido metafórico.

Antes de lançarmos as inquietações sobre essa nossa caminhada na educação, sobre o percurso dos professores na sua vida profissional, necessário se faz lembrar as diferenças entre o turista e o peregrino. Parece-me que o único ponto de convergência entre ambos é o da ideia da viagem: ambos viajam. Entretanto, ao refletirmos além dessa semelhança o que encontramos são grandes diferenças nos objetivos da viagem de cada um.

A viagem de um peregrino tem tudo a ver com o seu estilo de vida. A do turista com certeza está ligado ao lazer, ao uso de uma parte do seu tempo de vida como deleite pessoal. O peregrino faz a escolha do seu roteiro de viagem em razão da busca de algo que ele acredita que será capaz de fazê-lo crescer na sua fé, algo que multiplicará a sua crença e o tornará mais perto de Deus.

Quais são os critérios da escolha da viagem do turista? Normalmente um dos principais critérios é a fama do lugar. É muito comum inclusive, que o mesmo faça questão de tirar fotografias para publicar nos jornais e revistas com o intuito de mostrar para as pessoas que ele esteve ali. Claro que este é um traço de uma sociedade do espetáculo. Portanto, a viagem do turista não tem como objetivo a busca de algo que o torne mais humano, mais sensível aos problemas do seu cotidiano. A viagem do peregrino tem um sentido existencial. No caso do turista esse sentido existencial inexiste. Para o primeiro a sua viagem é um ato de fé e para o segundo é um ato de consumo.

A viagem do peregrino leva-o a busca de uma identidade ou mesmo à mudança da sua identidade. Este é o sentido mais forte da sua viagem. Por outro lado, o turista busca o contrário de tudo isso. Ele parece muito mais perseguir a alteridade. Ele quer ver o diferente, o exótico. Ao término da viagem o peregrino traz experiência, aprendizagem,

fortalecimento da sua fé; o turista, por outro lado, traz souvenir, fotografias, e às vezes contas a pagar!

Importante lembrar que a “viagem” do educador pela educação não é uma “viagem” solitária. Ele nunca está sozinho. Os seus companheiros são os educandos. Aliás, em função desses acompanhantes é que o professor determina quais são os seus objetivos. E, a meu ver, neste momento, o educador também se define com relação ao seu objetivo na “viagem”: Ele é peregrino. Não no sentido piegas do entendimento. Mas, fundamentalmente, vive ao longo dessa trajetória características semelhantes ao peregrino.

O educador responsável e consciente sabe como ensina, porque ensina e para que ensina. Portanto, não paira dúvidas quanto aos seus objetivos profissionais. Lembrando Paulo Freire, o educador que assim se comporta sabe “que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

O estilo de vida do educador peregrino está pautado na crença de que ele é capaz de contribuir de maneira significativa para plantar novas ideias, fazer florescer mentes novas, ser um incentivador da existência de homens e mulheres novos para uma sociedade que acreditamos pode sim ser mais humana, mais acolhedora e justa.

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